Naqueles dias, a tristeza espreitava pelos cantos da casa enquanto a vida parecia suspensa no teto do mundo. Entre uma palavra dura e outra, pairava um silêncio que, a qualquer momento, poderia se romper em algo absoluto. Sem retorno. Às vezes, ela se sentava no banco do jardim observando a quietude. De vez em quando, um vento leve e frio lhe gelava os ossos, mesmo com o sol a pino e o céu azul. No peito, a angústia perene, a premente falta de ar. A morte observava, sorrateira, os momentos finais de uma vida inteira – em muitos sentidos. Naqueles dias, ela chorava a qualquer momento – sem motivo e por tantas razões. Nos últimos quinze meses, a dor explodira, e já não era mais possível fingir que ela não estava ali. Ninguém foi capaz de lidar com isso – nem ela. Naqueles dias, a única coisa que a salvava era o olhar doce e gentil da cachorra – cuja existência também se sustentava por um fio.
Para Maya, minha adorada filha de quatro patas
18/04/2010 | 27/07/2024
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